terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Utilidade Marginal


Estamos num deserto. Não importam os nomes, não importam as latitudes. Um deserto é sempre árido, seco, cortante, assustador. Estamos divididos em dois grupos; ambos compostos por pessoas que antes de vir parar no deserto, tiveram a chance de escolher as provisões mais importantes para a sua sobrevivência. Uns, encheram seus bolsos com diamantes. Outros, encheram suas garrafas com água. Estamos num deserto. Quais das provisões valerá mais quando eles começarem a ter sede?

Quem tem mais poder?

Na hora da sede, trocarão os seus diamantes por um simples gole d'água?

Quando a sede for saciada, vão querer os diamantes de volta?

Qual a utilidade dos diamantes? Existe a necessidade de tê-los?

Qual a necessidade da água? Existe utilidade em tê-la?

Por que um diamante é muito mais oneroso que uma garrafa de água?

Quem é que vive sem água?

Quem é que vive sem diamantes?




Estamos num deserto.




NEXT!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Manguaça Faraônica


Ressaca é um negócio engraçado... Hoje, eu acordei sem entender nada! Sem entender por que diabos as minhas pernas estavam mancas, por que eu tinha um machucado inusitavelmente posicionado no cotovelo (não me perguntem como apareceu), por que meus lábios eram o Saara e duros como o meu crânio que por sinal estava esmagando o meu cerebelo, o que foi bom porque deixou o álcool escorrer mais rápido. Sabe aquela sensação temerosa quando a gente olha no espelho e encontra a Bloody Mary, Mary Poppins, Cup Noodles, sei lá, uma danação menos o nosso ser vivente? Pronto! Hoje eu acordei a própria Rainha Mãe, que Deus a tenha, amém. Trust me, isso não é divertido.


"Negócio Tosco da China"


Eu abri a torneira da pia e pularam três formigas, "eita, esqueci do dilúvio".

Dilúvio:

A máquina de lavar quebrou; entonces, chama o moço! Enquanto o moço foi desinstalando a máquina psicopata, mamãe teve uma brilhante e molhada idéia: "Vou tomar banho! ÊÊêêe!".
Ela foi tomar banho, esquecendo que a mangueira que ficava ligada à washing machine continuava lá, roliça, cilíndrica e cheia de amor aquático para dar, resultado:

Chuáaa, mamãe! A mangueira (cenas de filme) saiu espirrando água cozinha e narina adentro. Fiquei completamente encharcada e tive sinusite como nunca. Quase uma tromba de elefante resfriado. Foi no mínimo insólito, praticamente a ponte do rio Kwae Noi. Então saí correndo para desligar a "fonte" e levei um belo de um tombo memorável. Desliguei e me retirei heroicamente. Praticamente a ponte do rio Que Cai.

Fatos revelados, voltemos às formigas:

Pularam as três formigas da torneira, e me lembrei que Noé mandou que eu não utilizasse a água daquela área do apê senão choveria 40 dias e 40 noites de bica na minha cara de pau. Aí, como não saiu água nenhuma da torneira, e eu obviamente não me atrevi a religar a "fonte", fui tentar me deslocar cambaleante para o quarto da minha mamãe. No percurso, eu jurei sob meu patinho de borracha que nunca mais eu beberia 3 hectalitros de cerveja na minha vida (e também uns decalitros de whisky e dois discos voadores; mais uma vez não me perguntem como foi isso)! Sobrevivi ao percurso, abri a torneira, molhei a minha testa, amaldiçoei a minha bolsa porque nela não tinha mais Engov.


"UTI"

A hora da chuveirada:

A pior hora do dia para um ébrio arrependido; entrei no chuveirão de roupa e tudo, água gelada que encolheu minha calça jeans (eu jamais vou admitir que fui eu quem "alarguei" de tamanho) saiu rasgando e desdobrando toda a minha coluna, fui escorregando devagarinho, daí me bateu um desejo engraçado de batatas. Enquanto eu estava delirando no chuveiro, me veio à cabeça todas as formas possíveis de servir batatas: gratinadas (eu posto meu gratin dauphinoise depois), fritas, sautée, noisette, recheadas, esmagadas, estragadas, o escambau! Aquele sentimento fervoroso (a fé nas batatas) foi se tornando crescente, crescente, e foi subindo, subindo, e eu já podia sentir o aroma das batatas no meu nariz entupido quando...


"Toca Raul!"

... Bolas.




Estou me recuperando, afinal, só se cura uma ressaca com outra.


NEXT!!!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Fat Pride: O Orgulho Gordo!




Em todos esses anos de gorda, eu aprendi que nós gordinhos inconscientemente amamos nossa condição de vítima do lipídio. Todo gordinho tem um drama cotidiano de luta contra a adiposidade adquirida, contudo, persiste naquela farofa de ovos. Eu, claro, não sou diferente. Não sou obesa, sabem, sou uma gordinha gracinha, daquelas gorduchinhas simpáticas de humor redondo. A parte dramática do meu sobrepeso eu deixo para o mal passado, digo, passado mal. Entretanto, meu esforço diário merece o seu devido registro aqui, no espaço do meu melindroso abacaxi a ser descascado hoje e sempre.

Todo gordo tem uma frase de efeito. Tipo aquelas dos Vigilantes do Peso, que eu detesto do fundo do meu estômago dilatado. Aquelas "reuniõezinhas" cretinas que poderiam muito bem mudar o nome para Obesos Anônimos:

- Boa noite, trambolhos! Hoje temos uma nova coleguinha.

"Olá, meu nome é Cacilda".

- Oi, Cacildaaaaa.

"Erh, bem, eu sou obesa."

(silêncio)

"Estou sem comer rosquinhas há duas horas!"

(Palmas)

- Dona Cacilda, por favor, queira pesar-se.

"12345678910 kg! Perdi 0,0001 g!"

(PALMAS ENÉRGICAS)

- Nanãnão, Dona Cacilda! Você não perdeu, pois, vamos lá coro, em uníssono: "quem peeeeerde, aaaaacha"!


"I'm too sexy for my pants"

Ahhh façam-me o favor! Ainda por cima vendiam uns potões de requeijão "light" com azeitonas, tomates secos, anchovas plenas de sódio, etc... Força gordinha! E tome catupiry no rabo!

Sem essa, Weight Watchers!



Tem também aqueles gordos cínicos (eu!). Gordos que não fazem a mínima questão de serem gordos, porém, também não fazem a mínima questão de pagar um real a mais pela calda quente no brownie com sorvete. Meditam, acreditam e duplicam (o tamanho lateral). Nossas frases de efeito são: "quem tem, tem porque mantém" e "quanto mais eu como, mais eu quero comer". Típicos espécimes de pessoas hipertensivamente complicadas e sensivelmente hipercalóricas. Seus hábitos alimentares são curiosos e espantam os mais céticos. Nunca subestimem um gordo em fúria estomacal.

Os abalofados ultra-românticos, são aqueles líricos apneuzados que acreditam no amor puro e sincero com queijo por cima. Quando tudo não passa de uma ilusão (parmesão de má qualidade) eles precisam descontar toda a sua tristeza escrevendo versos de amor platônico envolvente com chantilly e torta quente. É um tipo mais propenso ao suicídio massivo (macarrão intravenoso). São os maiores consumidores de sorvete direto do pote já anunciados pela natureza.

Há também o gordo feliz. São pessoas imensas, de bochechas róseas, com um sorriso no canto dos lábios, de bom humor (enquanto o estoque de azeitona recheada resiste na despensa). Eu tenho fases de polpeta do bem, mas pula essa parte. Estas almôndegas desproporcionais escondem frango assado no colchão, e são constantemente pegos fumando ou estocando chocolate no decote (atenção, peitudas!). São pessoas alegres, engraçadas, geralmente infartadas mensalmente, mas isso é o que menos importa, o que vale é o IMC!


"Hell, yeah!"

Eu tenho uma mania de escolher dentre minhas roupas que eu tive aos 13 anos uma bermuda tamanho confidencial para servir de parâmetro do triunfo sob a maionese; toda vez que emagreço, faço o teste da bermuda: se entrar (me besuntar com creme rinse não vale), eu estou livre! Essa alforria me dá direito à noites de fondue e sundae de doce de leite. Mas só nos dias úteis, heim? Finais de semana são sagrados: feijoada, claro!

Viram? Com todo esse meu esforço eu chegarei lá. Todos os dias eu acordo, aponto para Meca (a geladeira) e oro fervorosamente para não atacar a manteiga clarificada. Geralmente dá certo. Eu uso creme de leite e fica tudo em paz (hehehe). Mentira, eu sou uma garota mediterrânea, quero viver 120 anos comendo tomate e azeite...




... Na pizza Margherita, claro.



"nham"


NEXT!




quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

"You can dance, you can jive..."

Acordei com as maiores olheiras possíveis para um ser humano de diminutos olhos como os meus. Ainda estou oferecendo 10.000 dinheiros pelo prepúcio do animal que me infernizou ontem com os replays intermináveis e escandalosos de Jéki Jôunson. Antes fosse ABBA, Dancing Queen. Um ultraje! Obviamente não preguei os olhos ontem só sonhando com abacaxis havaianos, hula girls, e Jégui Jordan balbuciando coisas sobre sentar, esperar e desejar, aaah tenha santa paciência. Até ontem eu gostava de Jeckyll Joshon. Agora, meu caro, você já era!

......




"Feel the beat from the tamborim, oh yeah!"



quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Com um Y na cabeça.




Estou coçando para desabafar.

Hora: 00:02

Situação: Tendinite, coisa leve.

Problema: Alguém com muita, muita fossa, escutando sem cessar Jack Johnson - Sitting, Waiting, Wishing.

É jóia, mas depois da 42º vez escutando a mesmíssima música de alguém que está pouco se lixando para a lei dos decibéis, eu me sinto um tanto atordoada. Na verdade é cômico, e eu vou ficar acordada por mais um tempinho "soçobrando sinergicamente as soporíferas sofismas que sopitam-me em simulacro status quo da senectude", como diria eu mesma na minha primeira postagem, neste referido local de vômitos verbais. Eu plagiando a mim mesma, o sinal da minha decadência; mas confesso que estou torcendo para que a polícia chegue antes que esse cara se jogue do prédio ou que pelo menos alguém atire um balde d'água na cabeça desse infeliz.

Por que no masculino, Manuca?

Porque tá na cara que isso é obra de um homem em ípsolon. Adornos pontiagudos, falos na testa, diadema do demo, desonra, dor de macho, crise em riste vertical. Para manter a gentileza.

......

Binóculos e janelas: Quero descobrir o que está acontecendo! É claro que, não tendo um binóculo, vou contentar-me com minha imaginação. Na varanda do primeiro andar, vejo uma senhora de roupão e poodle na mão amaldiçoando todas as gerações deste cidadão; no segundo andar, um casalzinho pegando fogo e... Fecham-se as cortinas. No terceiro andar sou eu, atirando todos os meus sapatos e minhas vassouras para todas as dimensões existentes tentando convencer esse rapaz de que ela não vai voltar, portanto, "Dormez-vous, frère Jacques!". No quarto andar, um meia-idade toma sentado um whisky suspeito. Cai meia hora depois misteriosamente...

E esse animal sem espécie continua me atazanando escutando Jack Johnson. E eu gosto do dito cujo, mas não poderia ser o disco inteiro? Não poderia ser ao meio-dia? Já estamos há uma hora do suplício! Sera que vão encontrá-lo na manhã seguinte todo ensanguentado na banheira? Com um tiro na testa? Ou todo gofado no sofá? Ou engasgado e afogado com a cara no prato de mingau que a mãe dele fez? Será?!


"Morre logo, amizade que eu tô com sono!"



Gente, é brincadeira. Mas agora eu estou começando a esboçar uma certa preocupação com o estado de sanidade deste ser notívago e surdo. Eu espero que seja um indivíduo bêbado em sua fossa lúdica e musicalmente terapêutica, porque estamos entrando na segunda hora de "Sitting, Waiting, Wishing", e eu já estou ficando irritada.


Sono e simpatia. "Pago 10.000 pela cabeça de Frère Jacques!"
......




Letra decorada, é sério! Vou denunciar este brasileiro (vou nada, eu só denuncio o meu irmão, e só quando ele não me suborna).


......

Interfonei:

- Boa noite, quem fala?

"É o Jaílson, boa noite dona!"

- Jaílson, tudo jóia? Quem é o meu recém inimigo sem noção do perigo, sem amor à vida e sem mulher que tá escutando essa joça?!

"Bem vinda ao clube".

"Aloha, Jacques Jõunsoun! Você acaba de perder uma fã..."


vou tomar um Lexotan ali e já volto...

NEXT!!!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

E o Golpe Levou...


Dia outro estava eu e meu computador interagindo num Donkey Kong Country alucinado, quando o telefone interrompe meus macaquinhos aventureiros de pegar umas banana-bônus. Era uma moça simpática afirmando que euzinha tinha direito a um super crédito estudantil da super Força Estudantil; que eu deveria comparecer na escola tal, hora tal, dia tal (no dia seguinte) e dizer uma senha tal para ter direito ao meu tal super crédito. Eu perguntei inocentemente: "Oba. Como a senhorita me achou?". Aí a moça inflou o meu ego dizendo que jóia de estudante que eu fui durante o ensino médio, merecendo assim um bônus. Ok!

Fui, né?

Chegando lá, na famosa escola:

"Oi meu bem, qual a sua senha?"

- M07.

"Ótimo (risadinha sórdida). Aguarde.

- Pensei (vão me sedar e vender meus rins no mercado negro).

"Acompanhe Fulaninha, boa sorte e bem vinda!"

Cheguei na sala, várias bancas com computadores individuais. Uau, né? Sei lá... Eu sou da Federal, então... A moça fez uma mini entrevista, perguntou se eu era estudante (não querida, eu ganhei um crédito estudantil por ter curso profissionalizante no Hanky Panky Escola de Sacanagem ¬¬), se eu sabia andar de bicicleta, se eu era feliz. Enfim, umas perguntas bem pertinentes. Aí disse: Apta! Assine aqui e seja bem-vinda.

- Uou, calma aí, amizade. Como é o esquema?

A moça falou que era um super curso de QUATROCENTOS reais mas, como eu sou uma super estudante super especial e ganhei um super crédito estudantil ficaria apenas por 170,00 mais vale transporte, carteirinha, tapa na cara e tudo mais. Qual curso?

- Webdesign.

Pronto. Abestalhei. Caramba! Um baita curso de webdesign com hotelaria, turismo e espanhol, gente que genial! Burrei. Venda casada; primeiro golpe. Jóia! Vou assinar!

- Claro meu bem. Agora dê-me 170 reais que eu seguro sua bolsa.

"170 agora?"

- Já!

Poxa, tô lisa amiga... Seria tão legal... Aceita trinta? E num é que a bonita aceitou? Aí chegou uma paulista cheia de sotaque, pala e mecha no cabelo. A mulher falou tanto, tanto, ó Deus como ela falou, que eu acabei dando meus trinta reais só para ela parar de falar.

Anta que sou.

Ela disse "Passa aqui segunda que a gente acerta o resto e te dou teu material". Concordei e segui no tranquilo caminhar dos tolos. Um dia depois, fui numa despedida de um amigo, e contei toda empolgada que iria estudar na Microgolpe. As pessoas pararam o que estavam fazendo e olharam para mim com um olhar de pena. Uma amiga Paula me disse: "Manuca, sai dessa. Pense numa fria!".

Fiquei um tanto preocupada com o destino dos meus trinta reais e do meu nome limpo. Como google é o pai dos desnorteados como eu, acabei descobrindo isto. Engasguei legal.


Hadouken!!!

No mesmo dia fui lá munida com o meu pai (quase uma arma branca). Na recepção falei logo que queria cancelar já meu contrato. A moça pediu que aguardasse. Chegou a primeira criatura que havia me atendido, e me levou para uma linda sala de 1m². Fiquei claustrofóbica pensando nos meus trinta reais. Ela já ia preparando um carnê e pedindo que eu desse 2 referências pessoais (crédito estudantil MY ASS!!! São as tais referências... Vou descobrir quem me entregou e estripá-lo com a minha faca de chef de 10 polegadas, fritar os seus pulmões, comê-los com mostarda de Dijon, alimentarei minha gata Amnésia com seu fígado, e o coração eu levo para feira do troca) quando eu a interrompi dizendo que queria cancelar. Ela saiu, chamou a paulista da pala doce, que veio mais uma vez com um talão de carnê DESTE TAMANHO e eu falei mais uma vez: QUERO CANCELAR, DEUSA!

Ela perguntou carregando no R: "Maiiisss pôrrrr quêeeaa?". Papai interrompeu na hora pensando que sua filha é extremamente retardada para lidar com estelionatários e inventou que havia arrumado um estágio para mim, que eu teria que viajar e ai! A bonita paulista de mechas reluzentes e pala grossa ainda teve a ousadia de perguntar onde, com quem e por quanto tempo. Eu já ia soltando um "não interessa, sua cretina" quando papai num rompante de criatividade disse em Porto de Galinhas. Passaria o verão trabalhando de biquíni mostrando os meus dotes lipídicos e culinários, matando todos vocês de inveja. Obviamente ela não engoliu, mas fingiu que engoliu.

A outra já ia apertando a minha mão para dizer "meus parabéns, até logo" quando meu genitor rapidamente lembrou do contratinho-nhô. A manceba em aflição disse que iria rasgar. Mas ele disse: "Não meu bem, deixa comigo". E rasgou. Respirei fundo e me livrei da bomba.

Bomba: A Microcamp legal, liga para todos os seus alunos fazendo com que pessoas estúpidas como eu acreditem ter merecido bônus qualquer de alguém disposto a fazer o bem. Jóia! Daí te atraem para um desfile de "vantagens", material didático gratuito e aulas sensacionais com professores qualificadíssimos e diploma reconhecido pelo MEC. Como mencionaram a Força Estudantil, caí como uma pata rouca. Faltaram me avisar que os cursos eram péssimos, não são reconhecidos nem pela mãe deles, nosso exercício diário seria tirar dúvidas de professor hipocéfalo, além das unidades que fecham sem dar satisfações deixando os alunos com cara de tacho. Quando os otários assinam, têm em média 7 dias para desistirem visto que o curso às vezes nem existe, ou não forma turma (me salvei nessa!), caso contrário deverão pagar uma multa rescisória de R$ 3,000 dos livros. Mas pera lá! Os livros não eram gratuitos? Eeeeram. E a nota fiscal dos livros? Nada. E esse contrato leonino, como fica? E essa venda casada, como fica? E os nomes no SPC das pobres mães que tentaram fazer algo de bom para os filhos? PROCESSAAA, Dona Maria!!!

Ela não quis devolver meus 30 reais, mas eu estava com ganas de pular no pescoço dela. E tudo o que eu queria era fazer um Delícia mais bonito... Cheio de abacaxis delirantes no template... Resolvi deixar pra lá. Antes 30 que 3000, né não?



Um Beijinho Doce para você, otária!


NEXT!!!

sábado, 3 de janeiro de 2009

A Catarse


Como eu contei lá no Colherada Zen, todos temos uma historinha Lado B. E a minha seria até engraçada se não fosse tão insaudável. Ok, comecemos pelo drama, para minha total purificação:

Eu fui bulímica por uns bons aninhos gordos. De enfiar escova de dente goela abaixo e tudo. Nem parece né, eu sou tão ajuizada (risos e cochichos). Tudo começou quando eu tinha uns 12 anos, na piscina do clube. Eu já havia parado com a ginástica olímpica há uns 2 anos, era magrinha e atlética até que minha tia Menarca me deu dois melões frontais e uma melancia traseira consideráveis. Mas eu era feliz assim, tamanha baleinha. E como uma pequena jubarte, eu nadava contente no clube, quando uma colega minha reparou bem e comentou: "Nossa, Manuca, tu já tem celulite!".

Como diria a bela cantora Maysa, "Meu mundo caiiiiiuuuuuu".

Eu retruquei, óbvio: "Celulite tem é o seu cérebro, sua baba, gosma, coisa!". No xingamento, leia-se "só queria nadar em paz".

Bem, os 12 aninhos femininos são complicados. Primeiro beijo (baba, gosma, coisa), primeiro 4,5 em matemática, primeiras muitas coisas. Meu apelido na época era air bag duplo, ah, imagina só o porquê! Eu não dava muita importância para meu excesso de dobras valiosas, eu só queria me divertir, curtir meu fim de infância. Mas um comentário ínfimo foi o suficiente para distorcer minha cabecinha em formação e eu passei a trocar Monteiro Lobato, Ana Maria Machado, Pedro Bandeira, H. C. Andersen, os Grimm e Cecília Meireles (uma criança prodígio) por Capricho, Atrevida, Antenada e Cláudia (uma criança com um chocolate Prestígio). Estava agora gordinha, bobinha e cheia de caraminhola na cabeça. Só pensava em Nick Carter dos Backstreet Boys e em emagrecer a todo custo, nem que para isso eu tivesse que passar minha 6ª série inteira comendo pão e bebendo água.

Começaram meus transtornos alimentares. Eu olhava aquelas revistas e só via loirinhas lindinhas, magrinhas e de namoradinhos incríveis. E eu aquela coisinha simpática, engraçada, legal, feinha e sozinha. Queria parar de comer, era a solução! Mas eu nunca conseguia. Ao contrário! Cada vez que tentava parar de comer, emagrecer, a idéia de comida crescia em mim, se tornava um monstro terrível que me obrigava a comer cada vez mais. Não dava para ser só um brigadeiro, um só sanduíche, uma só fatia de bolo. Tinha que ser o bolo inteiro. Mas, e depois? Só arrependimento, chororô; eu tinha que me livrar daquele sentimento e daquela barriga gigante de muito bolo e pouco suco gástrico. Mas, o que fazer?



Claro! Como eu não havia pensado nisso antes! É só tomar água quente, colocar o dedo na garganta, ficar de cabeça pra baixo, engolir uma escova de dentes! Tudo vai embora, até não sair nem a bile. Ficou tudo mais fácil. Eu podia agora usar aquele short da minha amiga. Cabe em mim! Só alegria...

Ai, como eu amava comer e cantar! Comia, comia comia, vomitava às vezes, outras não(quando não conseguia, acabava ferindo o meu rosto...). Mas cantava sempre! Fazia aulas, cantava bem! Queria acompanhar meu violão. E aí o tempo foi passando, eu fui me aprimorando em comer e vomitar e não havia mais espaço para minha voz.
Era segundo plano agora. E ela foi ficando esquecida, empoeirada, vomitada. Arranhada. Fraca.
Dolorida...

Fui aos poucos perdendo o que mais amava. Era rídiculo, mas era um sacrifício e minha recompensa era não ser mais apresentada aos amigos de minhas amigas e ser ignorada, considerada uma feinha simpática. Aqueles garotos que me atraíam, os da revista: Os do skate, do surf, os bonitões, os tímidos, os românticos, os impossíveis, os inexistentes. Como era divertido ir àquelas festas, àquelas boates e só ficar olhando, analisando o comportamento masculino porque era o mais perto que eu poderia chegar, a gordinha simpática e esperta. Eu não fazia o tipo daqueles que faziam o meu.

Eu fui ficando mais velha, parei de ler aquelas bobagens, parei de olhar para aqueles garotos. Fui tomando gosto pelas viagens, pelo teatro (meu mais fiel amante), pela leitura produtiva. Aos sete anos de idade eu escrevi minha primeira música. Sobre o quê? Claro, garotos e comida, lógico.
Minha avó e minhas coleguinhas de classe foram as únicas testemunhas da minha primeira catarse musical. Mas nessa época, aos 13, eu já sabia falar inglês, e passei a jogar tudo ali, nos papéis. Escrevia em inglês, em português, mais velha fui começando a esboçar bobagens em francês. Ali era um lugar sagrado para mim. Não tinha vergonha de nada, só orgulho. Meus amigos admiravam meu talento. Cantava nas festinhas, nas viagens, eles viam o que eu escrevia e amavam. Minha auto-estima foi se recuperando aos poucos...



Dezesseis anos, primeiro ano do ensino médio, ainda bulímica, e mais cantora. Agora eu usava óculos, tinha cara de esperta. Escrevi muito nessa época, vomitei pouco. Fui melhorando sozinha, não fazia a menor ideia do que eu tinha, não possuía mais computador, quebrou na sétima série, não tinha acesso a essas informações. Aos 17 eu valoriazava o que tinha que ser valorizado: Eu mesma. Minhas compulsões foram embora, apesar da minha obcessão por comida ainda permanecer. Tenho até uma plasticidade em relação às palavras desde pequena! Muitas palavras me dão a sensação de comida na hora em que penso nelas. Por exemplo, a palavra "penso" = queijo prato derretido. Cláudia = caldinho de feijão; Júlia = almôndegas de soja; Paula = bolinho de provolone; Daniel = Foundue de chocolate. Sério, eu tenho um problema.

Acho até que já havia comentado aqui sobre isso antes. É engraçado. Mas voltando, eu emagreci naquela época com a ajuda de endocrinologistas. Na faculdade, descobri que sou DDA. Minha ansiedade, hiperatividade e imaginação tinham que ter vindo de algum lugar. Desde então vivo na sanfona: Emagreço e engordo. A bulimia se foi, o binge não. Ainda tenho uns ataques loucos (saiam da minha frente, liberem a geladeira, passem a mostarda!!! - algo assim). Em 2008 emagreci 10 quilos e engordei 9. É por aí. Mas minha auto-estima é outra. Desde que ingressei na faculdade não tive mais problemas com os garotos de qualquer tipo (Ó céus, por que será? Será a auto-estima o segredo do universo?), só com a comida visto que inventei de estudar gastronomia.
Graças à Deus me tornei vegetariana, e meu ponto de vista em relação à comida começou a esboçar uma mudança. Penso mais em nutrição. Minha voz continua a mesma (iupi!), mas agora eu entrei na toca novamente. Meu bloqueio com comida vôou (novas regras do português: lasquem-se) longe e atacou outra área; morro de vergonha de cantar em público e de mostrar minhas letras. E olhem que são muito boas, viu? Droga, isso nunca tem fim.

Enfim, lá se foi tudo.
Joguei tudo aqui de novo. Mais tarde leio e escrevo uma música legal naipe Alanis Morissette falando de seus traumas sexuais (mais risos e cochichos).

Esse é um dos meus lados "B". Enjoy the drama e não se preocupem: Eu não tenho tendências suicidas, ok?

Peace out!



NEXT!!!