As coisas que nós usamos como desculpa para faltar às aulas...Ontem pela manhã Recife esteve invariavelmente escaldante para variar, então resolvi passar minhas poucas horas livres me lambuzando de picolé (de verdade) na praia. Fui com minha caríssima amiga e ex-chefe Juliana e Magali, sua mãe que não tem quem diga que é mãe. Quando chegamos em Boa Viagem, que legal, o céu fica nublado e eu não avisto nem um mísero vendedor de sacolé do canal, quanto mais um picolé decente. Mas a conversa e a caminhada estavam ótimas! Infelizmente, no trechinho da pracinha da Igreja, eu senti uma pontada seguida por uma dorzinha aguda no meu minúsculo pé de Hobbit tamanho 35: algum desalmado, filho da mãe e anti-ecológico empanturrou-se de caranguejo e deixou os restos mortais dos pobrezinhos espalhados pela praia, embrulhados em saquinhos plásticos rasgados, disfarçados pelo sargaço grudento. "Ai, pinóia!". Tentei olhar, mas a areia não deixava. Pulei feito uma louca em direção ao mar, apoiada pelos ombros de Juliana e Magali. Olhei e vi um olho. Tinha um olho no meu pé! "Que danado é isso?".
"cuidado, caranguejos."
Fui para a casa da minha avó "saltitando de alegria", subi pelas escadas "de um pé só" lavei a areia do meu pezinho e sentei na cama para examinar melhor.
Gente, soltaram um míssel no meu pé. Que buraco era aquele? O miserável obeso pelo avesso que comeu aquele caranguejo espinhento vai morrer com uma flechada no calcanhar, seu Aquiles dos infernos! Brincadeirinha...
Vovó não tava com coragem de meter a mão ali, então falou: espreme você mesma com força que sai. "Sacanagem, vovó! Desenrola aí!". Não teve jeito, eu tive que morder uma toalha, abrir o buraco com um alicate e forçar o parto do caranguejo:
v: "Força, minha filha!"
m: - AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH
v: "A cabeça já está aparecendo, está coroando, vai!"
m: - VOVÓOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO. TÁ DOEEEEEEEEEEEEEEEEENDOOOOOOOO
v: "Morde a toalha e cala a boca. Expulsa essa joça daí logo antes que inflame. Vai!"
m: - @#$%¨&*¢£³¢¢¬¬!!!!!!!!!
v: "Olha só, a cabeça está toda de fora! Vou buscar uma pinça!
m: - QUE AGUINHA É ESSA? E ESSE SANGUE TODOOoooooo...
(...)
v: "Manuca? MANUCA? Que frescura é essa, Manuca? Já saiu! Levanta daí!"
m: - Vovó... É menino ou menina?
Saiu o negócio. Imenso e todo ensanguentado (ahahahaha, o espinho do caranguejo, calma aí). Fiquei tão horrorizada com o tamanho do dito cujo (a saber, o espinho) que forjei todo um drama para ficar em casa descansando, afinal, foi parto normal.
"podem pisar, é terapêutico."
***
Dia outro tivemos uma aula que eu não lembro qual foi, mas que precisávamos de alguns depoimentos de colegas sobre sua infância e etc. Foi daí que surgiram as Fantásticas Crônicas do Infanticídio Incompleto. Cada estória de arrepiar a Perna Cabeluda, malassombro mór do Recife Antigo. A primeira delas, foi protagonizada por nosso colega cujo nome verdadeiro será preservado devidos aos traumas do seu passado:
A Teoria Emética das Refeições
Galetinho era o típico garoto amarelo que não gostava de comer. Magrinho e inocente, jamais fora motivado a mordiscar biscoito amanteigado que fosse, tamanha era sua falta de apetite. Precisamente por conta disto, que o seu apelido até hoje é Galetinho (assim espero). Galetinho apesar de não comer muito, gostava de brincar com seus amiguinhos, e saía pelas ruas gastando o pouco de energia que lhe sobrava. Quando se encontrava fatigado, retornava à casa de sua mãe, onde seu maior pesadelo o aguardava: a hora do almoço.
Galetinho trêmulo porém pouco resistente, sentava-se à mesa imaginando as mais cruéis entradas, saladas, e sobremesas que sua mãe o obrigaria a engolir goela abaixo. Sua mãe fez o seu prato com porções generosas (exceto para Galetinho) de tudo o que havia para comer. As garfadas vinham fartas; Galetinho sôfrego, tentava deglutí-las com todo o asco existente no planeta, mas era vencido por uma força maior...
... Uma força que encarava as mais poderosas manifestações peristálticas que o estômago pode oferecer. E essa força vinha subindo, impedindo Galetinho de botar para dentro o que havia mastigado com tanto terror. A luta foi árdua, porém inútil; deu-se a lambança: Galetinho perde a batalha contra a epiglote devolvendo tudo parcialmente digerido ao prato. Ao mesmo prato. Infiel, cruel e sádico prato. Aquele bolo ácido o encarava desafiante. Sua mãe, não teve dúvidas.
Com uma colher, misturou a argamassa dos horrores.
"Coma."
Bastou uma palavra. Mais uma vez, aquela força contrária à gravidade humilhou Galetinho: ele vomitou de novo. A colher novamente entrou em ação. "Coma." E agora, Galetinho? O pobrezinho regurgitou e engoliu aquela gororoba diversas vezes, até que só havia sobrado uma papa laranja, se é que vocês me entendem...
Tal pirão estomacal fez com que Galetinho levasse na cabeça uma literal bandejada com uma das prateleiras de vidro da geladeira. Para nunca mais acontecer. Hoje, Galetinho é vivo, continua magrelo, mas só come o que (e quem) quer.

"nham, o cereal da mamãe!"
Este é o fim do primeiro capítulo das Fantásticas Crônicas do Infanticídio Incompleto - Porque se for para matar, mata direito porra!
NEXT!
Galetinho trêmulo porém pouco resistente, sentava-se à mesa imaginando as mais cruéis entradas, saladas, e sobremesas que sua mãe o obrigaria a engolir goela abaixo. Sua mãe fez o seu prato com porções generosas (exceto para Galetinho) de tudo o que havia para comer. As garfadas vinham fartas; Galetinho sôfrego, tentava deglutí-las com todo o asco existente no planeta, mas era vencido por uma força maior...
... Uma força que encarava as mais poderosas manifestações peristálticas que o estômago pode oferecer. E essa força vinha subindo, impedindo Galetinho de botar para dentro o que havia mastigado com tanto terror. A luta foi árdua, porém inútil; deu-se a lambança: Galetinho perde a batalha contra a epiglote devolvendo tudo parcialmente digerido ao prato. Ao mesmo prato. Infiel, cruel e sádico prato. Aquele bolo ácido o encarava desafiante. Sua mãe, não teve dúvidas.
Com uma colher, misturou a argamassa dos horrores.
"Coma."
Bastou uma palavra. Mais uma vez, aquela força contrária à gravidade humilhou Galetinho: ele vomitou de novo. A colher novamente entrou em ação. "Coma." E agora, Galetinho? O pobrezinho regurgitou e engoliu aquela gororoba diversas vezes, até que só havia sobrado uma papa laranja, se é que vocês me entendem...
Tal pirão estomacal fez com que Galetinho levasse na cabeça uma literal bandejada com uma das prateleiras de vidro da geladeira. Para nunca mais acontecer. Hoje, Galetinho é vivo, continua magrelo, mas só come o que (e quem) quer.

"nham, o cereal da mamãe!"
Este é o fim do primeiro capítulo das Fantásticas Crônicas do Infanticídio Incompleto - Porque se for para matar, mata direito porra!
"Galetinhôoo, olha o aviãozinhôoo"
NEXT!






2 fala, filho!:
estou esperando loucamente pelos próximos capítulos das Fantásticas Crônicas do Infanticídio Incompleto
amiga tu é sensacional! também estou esperando pelos próximos capítulos :]
abo :*
Postar um comentário