quarta-feira, 24 de setembro de 2008

As Macaquices Eleitorais


Gostaria muitíssimo de permanecer viva e saudável até o fim das eleições. Gostaria muitíssimo de ter o privilégio de observar se algo finalmente mudou. O povo não possui cabeça, possui carapaça; oca e cheia de ecos do nada. Um emaranhado de ar. Um político é acusado pelo Ministério Público de uso indevido da máquina pública (entre outras "brincadeiras"), investigado e comprovado pela Polícia Federal, e teve seu registro de candidatura cassado pelo juiz. Jóia, eu nem queria que ele ganhasse mesmo! Mas quando eu penso em um candidato favorito à eleição que não faz a minha cabeça, eu tento pensar que talvez este seja uma boa alternativa para a cidade. Eu torço pela minha cidade, pelo meu país. Mas dessa vez nem tive tempo. O (ex ou ainda, sei lá!) candidato João "Dá as Costas" como andam proferindo por aí as línguas infames (amo-as), afimou agora há pouco no horário político que tudo não se passava de um super golpe da oposição, um boato, um silvo maléfico dos demais partidos. Aí eu me pego naquelas minhas ironias descontroláveis e cheios de tendências ao humor dark: Como é que ou demais candidatos de mãozinhas dadas influenciariam o MP, a PF, e um juiz que, mais uma vez sopram por aí que ele mesmo também é afeiçoado ao próprio PT! Quer dizer, o cara foi totalmente imparcial. E também a promotora.

A esculhambação foi clara: Houve um crime eleitoral DAQUEEEELES! Digno de tomates e ovos. E o engraçado é que a cidade do Recife amanheceu pintada de estrelinhas amarelas e motoqueiros com bandeiras vermelhas esvoaçantes e exageradas tais quais os radicais. Radicais aqueles que não aceitam outros meios, não escutam outras línguas além das próprias, cerram os ouvidos ao contrário. E um radical não tem partido indicador, pode ser qualquer um; portanto estou também sendo bem imparcial aqui.

Eu não tenho partidos. Avalio com cuidado cada candidato, cada proposta e sua história na política. Não visto sua camisa, não ergo sua bandeira. Quanto as pesquisas, não me importam; eu acredito na minha mão que vota e não na mocinha de prancheta ou no engravatado em horário nobre. É lasca porque sempre fica aquele sentimentozinho de "ótaaaaria, você, eleitora é uma otáaaaria". Sim, são os fantasmas da dúvida que assombram.

Vou votar no mesmo candidato de antes.
E esse João Dá as Costas aí que tenha o que merece!


e viva a eleição limpa!
e vivam também as piadas eleitorais, que muito me agradam!
¬¬


NEXT!!!

sábado, 13 de setembro de 2008

Das Coisas Anti-Amargas e Refrigerantes


Há um bom tempo eu não brinco de Barbie. O condicionador de ar do meu quarto tem a mania chata de pingar e eu coloquei instintivamente uma bacia embaixo dele, que ficou cheia. Imediatamente me lembrei das casas da Barbie que eu imaginava usando qualquer coisa que aparecesse, inclusive uma bacia que era a piscina. Me deu uma vontade louca de garimpar alguma boneca remanescente por aqui, arquitetar um "casarão" e brincar. Será que eu retardei? Outra coisa que me intriga bastante, são os desenhos animados. O que aconteceram com eles? Estão demasiadamente mal-educados e maduros. Quando eu tinha um metro e vinte, curtia desenhos de aventuras, engraçados, inocentes, criativos! Onde estão esses desenhos? Os atuais são tão sem graça, cheios de palavrões, coisas que eu não gostaria de ouvir nem aprender naquela idade, porque estaria despertando em mim um montão de coisas fora de hora. Será que mais uma vez eu retardei?

E as músicas... Puxa vida, as músicas. Não preciso mencioná-las, está mais que óbvio e eu creio que não consiga discorrer sobre tal assunto porque me dói demais. Os cursos de férias! Eu participei de muitos... Hoje, a melhor babá eletrônica é o Playstation 2. Não que eu não tenha jogado videogame, aaah joguei e muito! Organizava campeonatos, com brigadeiro e tudo mais. Donkey Kong, Sonic, Super Mario... Mas depois dos jogos, corríamos pra rua! E olhe que eu morava em prédio... Meu primo é um andróide, pobrezinho. Minha mania feia e anti-adulta é contar uma estória (inverídica, é claro) sobre a "verdadeira" origem dele: Uma lata de lixo em New Jersey; ele era uma speedyball colada a um corpo com orelhas enormes. Tão feio que minha tia teve pena e resolveu levar pra casa e operar. HAHAHAHAH

Tudo isso para ele parar de vez com os computadores, videogames e nuggets de frango! Eu não tenho esse direito, mas toda prima mais velha é pentelha, e eu não estou fora dessa. Ele é como um irmão mais novo, e eu inventei essa estória porque ele tem uma foto que uma bola de speedy ficou bem na frente dele, como se tomasse o lugar da cabeça. Aí usei essa foto para "provar" minha tese. Ele ficou mortificado, mas ele é espertinho, vai entender.

Será que estou completamente retardada? Eu por muitas vezes não consigo me libertar da minha infância, e nem quero. Na terapia eu nem trato deste assunto, porque não o considero um problema. Ao contrário, é a solução de todos os problemas da sociedade atual: Estresse, dificuldades em ser sincero, aversão a crianças e animais, despreocupação com a natureza, alimentação ridícula, empregos públicos a todo custo, concursos, dinheiro, dinheiro, dinheiro, drogas, vizinhos invejosos, gente chata e entediante...

Eu não me livrei deles, mas sei contorná-los como ninguém. Meu lado infante me permite. E agora que finalmente estou me formando, vou me dedicar não exclusivamente, mas a priori ao meu amado teatro. E à música também, sinto falta de técnicas e teorias. E começarei agora mesmo, pois está passando Scooby-Doo no SBT, e é um dos desenhos animados mais legais que já criaram.





NEXT!!!



[Só uma pequena observação: Ultimamente estou tendo pesadelos horríveis com refrigerantes. Alguém explica?]

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Howdy, Neighbour!


Estou um caco. Minha coluna estala tal qual os ossos condenados de Amy Winehouse (a diferença é que eu não tomo Special K). Tendinite anunciando minha "nerdice aguda"; chuva inundando a Veneza Tropical; e eu sem sono. Amnésia espoleta de um lado a outro na sala, ameaçando abajours e bibelôs. Eu procuro na internet um kit festa cheio de gordura trans para não deixar o dia 09 passar em branco... Sim, são apenas dois patos na lagoa. Sou uma pirralha muito eloqüente.


A tendência do momento, é o arremesso infantil predial. Aí você escolhe as modalidades: Com amortecimento por fraldas descartáveis, amortecimento por telhas milagrosas... Pelo amor de Deus, é de cortar o coração ver aquelas mães desesperadas, mas por que não pensaram nas piores possibilidades antes de deixarem os filhos sozinhos com sofás, berços e afins encostados à janela, ou parapeito, ou sei lá. "Mas ele não estava sozinho, estava com meu sobrinho de 14 anos". Jóia. Pra mim, deu no mesmo; crianças tomando conta de outras.


Vamos mudar de assunto?


Ah, sim. Dor nas costas. E esse sono que não vem? E eu comprei uma cama novinha em folha e em plástico bolha, de molas rangendo romanticamente, um luxo só! Mas como eu tenho apenas singelos 1,54m fico um tanto perdida nela... Bolas travei aqui. Estou escrevendo sem lógica. Ah, me lembrei que a professora de antropologia cultural pediu uma análise antropológica de qualquer situação do meu dia-a-dia. Resolvi escrever sobre os almoços em família, é claro!
Geralmente são assim:

Carminha é a cozinheira, que sempre atrasa. Minha tia, a Flávia, sempre chega em casa "comida" (por favor, leiam com a inocência que o sarcasmo requer) e come de novo, meu avó sempre está à mesinha do jardim, tomando seu goró e vovó na hora exata em que Carminha diz "tá na mesa", corre pro banho. Todos os dias. Meu primo Victor, sempre ao Playstation "1-2-3-4-5-6 Turbo" mascando com preguiça troços de frango morto (aqueles nuggets nojentos que ninguém sabe se tá comendo o bico, o peito ou o pé) ensopados no catchup (e tudo daquela marca daquela lanchonete daquele palhaço mega freak) e caldo de feijão (sem o caroço). Eu acho que ele vive da luz da televisão, só pode. Eu chego, e vovô logo diz: "O jornal está no sofá, e tem revista nova! Ah sim, como foi a aula?". Aí Carminha olha pra mim e pergunta: "Seu amor vem?".

Nessa hora eu acho graça. Aí eu lavo as minhas mãos minúsculas cujos "dedos médios" não possuem moral alguma (por isso mal faço uso deste recurso anti-estresse e liberador); sento à mesa redonda que vovô todos os dias diz que vai trocar porque é muito pequena; aí escuto um outro discusso já conhecido de vovô, relatando sua aventura no mercado às 5:00h da manhã para que nós pudéssemos estar desfrutando de uma rica refeição de legumes orgânicos, bicho morto assado e torta pronta da Sadia (?!).

Daí começa o auê: "Manuca passa o purê; Manuca você vai morrer!". Heim?!

"Menina que não come carne, fica anêmica e não pega marido".

- Mas gente, eu sou doadora de sangue, praticamente noiva (ao menos em pensamento) e meu futuro marido é ve-ge-ta-ri-a-no feito euzinha, biscoito fino!

"Manuca, quantas notas tem essa porção de batatas fritas?"

- 90.

(notas? sim, uma dieta nova e funciona!)

"Manuca fiz um camarãozinho especial para os que não comem carne!"

- Er, folks... Desde quando camarão dá em árvore?

Até as pessoas compreenderem isso eu já estou na sesta...

Na hora da sobremesa vovô diz: "Carminha, traz a torta" mesmo sabendo que não tem torta nenhuma. É tradição.

Mas antes mesmo que você possa dizer Rumpelstichen! Carminha chega interrompendo conversas, mastigações e peristaltismos e vai retirando os pratos e enfiando mesa adentro a sobremesa. Geralmente é sorvete. Geralmente de creme.

Quando não, vovó e vovô pedem bananas com goiabada, ou bolo de rolo. Nessa hora eu ainda estou no suquinho.

Depois vovô se despede solenemente e vai dormir. Vovó corre para o quarto e vai assistir à sua novelinha. Eu fico ainda matutando sobre o almoço seguinte.



E não é que funcionou? Começo a ter sono e já tenho um texto para o trabalho (risos)!

Vou aproveitar essa brecha na lei da insônia!

NEXT!!!