
Salve simpatia, boa noite, boa noite, bom dia.
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Agora que acharam água em Marte e em lua de Saturno, que tal começarmos os trabalhos? Vamos plantar tudo que é muda nativa, vamos transformar luas e planetas em verdadeiras estufas a serviço da Terra! Depois a gente brinca de queimada, tora-madeira, pecuária extensiva com marcianos, churrasquinho de gato (do Chef R.).
Desculpem, é que eu fico revoltada com esse lambe-lambe interativo; a gente enfia a cara num negócio escuro, enxerga a luz, mas tá tudo de cabeça pra baixo!
Eu queria que Moisés voltasse, ou São Jorge, ou Jaspion. O ser humano está precisando de uma lição de moral baseada em pragas egípcias, dragões e monstros nipo-olímpicos. Gente eu estou com medo do sorvete derretendo, o planeta está chiando, daria até pra ouvir não fosse a tremenda quantidade de carros, aviões e bate-estacas azucrinando nossos tímpanos condicionados ao caos urbano.
Mas agora eu vou falar de outra coisa que está me incomodando alucinadamente: A cidade do Recife! Gente, qual é? Seria preciso um exército de Lampeão para detonar essa balbúrdia infernal e violenta que toma conta do meu berçário. Nós já não conseguimos pôr os pés para fora de casa, pois temos medo de que passem e levem! Nós já não conseguimos usar aquele relógio falso de Casa Amarela porque alguém pode arrancar nosso braço; nem o mp3 de dez reais paraguaio; o colar do Titanic da feira; aquele boné bacana do felino, e aquela camisa do jacaré da 25 de Março.
No, no, Nanette! A maloqueiragem está a solta, a polícia só age em seu metro quadrado pré-estabelecido pelo funk de Porto Seguro, os pagantes de impostos morrendo, crianças, mulheres e idosos também. Ninguém escapa.
Lancem os mísseis, joguem as bombas! O Recife tombou! Está tomado!!!
É muito mais sério do que o Rei da Dinamarca shakespeariano pensa. Não há mistério. E sim latrocínios, homicídios, drogas, execussões em massa, furtos, estupros, assédios, Dante Alighieri, hell, hell, hell!!!
Não posso nem cogitar a possibilidade de criar um filho aqui. Não posso cogitar a possibilidade de parar no sinal vermelho. Antes a multa que a cabeça estourada tal qual Marvin em Pulp Fiction, pobre garoto. Eu não aguento mais a violência.
Se eu for morar em São Paulo, Deus sabe o que possa acontecer caso um neo-nazi que não estudou história na escolinha descobre que eu sou nordestina; e seu for morar no Rio, só Mamãe do Céu para me proteger de alguma eventual bala perdida, ou uma ronda policial "pós-pausa-para-Contra Strike". Se correr o bicho pega, se ficar...
Vou morar em uma ecovila no meio do mato protegida por tiranossauros recriados em laboratório numa ilha cercada por tubarões geneticamente modificados e com cerca elétrica anti-Godzilla. Sim, vou morar num presídio de segurança máxima. Ali deve ser um lugar legal para se viver! Só gente fina, elegante e sincera.
Não sei mais o que fazer. Saio na rua rezando para não levaram meus trabalhos da faculdade (é o mais novo hit do verão, roubar xerox), rezando para que não me atropelem porque eu atravesso imediatamente quando avisto um potencial "mala" (e para isso, eu infelizmente devo acionar meu "preconceito mode" - não é a cor, nem o modo de vestir-se: é o olhar), rezando para que não me matem caso eu só tenha cinco reais no bolso, rezando para que quem quer que esteja no caminho, me ignore.
Paz, gente!
PAZ AGORA!
ou Papillon, Alcatraz...
NEXT!!!

