Alguma sugestão?

Tudo começou quando eu acompanhava meus pais e avós nas eleições durante toda a minha infância
O que eu nunca gostei de ver era aquele pessoal com cara de tacho sentado nas mesinhas de escola e com um cachorro-quente minúsculo na mão. Vovó me dizia que eram os mesários.
"Oh! Os Mesários!"
O tempo foi passando, e eu reconhecendo que após todos os anos, aquela simpática "Horda de Ouro" não sofria alterações. Lembrava do bigodudo, da mocinha, da coroa. Vovó dizia que tínhamos uma vizinha que todos os anos era mesária. Aí danou-se! Na minha cabecinha formou-se a concepção de uma passagem, um rito compulsório e formidável feito um Bar Mitzvah às avessas. Toda a sociedade “Pracense de Casa Forte” teria que passar pelo sacrifício do dever civil. Eu quero que o dever civil se lasque! Meu dever é reciclar, ser gentil com o cobrador, dar bom dia, atravessar velhinhas nas ruas esburacadas do meu prefeito amado, praticar o exercício da honestidade nesse mundo tão ávido por grana, detestar grana, não gozar com a cara dos militares em marcha (em voz alta), não jogar ovos no TRE e também, a pedidos do meu amigo blogueiro Walmir, não explodir o Congresso porque muitos lutaram e morreram por ele! Eu acredito no trabalho voluntário, aí sim. País democrático uma minhoca morta!
Enfim. Quem mandou eu reclamar? Quem mandou eu ficar revoltada antes do tempo, antes de largar a chupeta, heim? Toma aí! Muitos anos se passam até que meu vovô liga informando que chegou uma carta da Quinta Zona para mim. Eu disse: “abre aí, ‘vôvz’”. Ele mal começa a ler e minha ficha já caiu. “NÃO!”. Sim. “NÃO!”. Sim.
Bolas. Fui convocada. Eu me sinto uma menina de dez anos que ficou
Eu não fujo de trabalho, adoro trabalhar. Quando eu quero. “Menina mimada não quer ser mesária”; quero não, pergunta se sua mãe quer! Desculpem, nunca envolvam as mães que elas sempre pagam o pato. O pior é servir a algo que não acredito. Como vai ser no dia? Será que vou chegar bêbada, maltrapilha, chutando tudo, cheia de tatuagem de caneta, pseudopiercing nos mamilos, de cabelo raspado, com uma seringa dependurada no meu antebraço? Não, oras. Vou chegar com quinze minutos de antecedência, ser simpática com todos os Cavalcanti e Cavalgados, explicar do melhor jeito possível àqueles que mal sabem assinar os nomes, mas votam e vou recolher meus dez reais e comer um cachorro-quente sem salsicha da esquina. Não pretendo descontar minha revolta nos demais pobres coitados que de certa forma, também estão sendo obrigados a estar ali. Viva a panelada!
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