quarta-feira, 28 de maio de 2008

She's A Maniac



Pois é! Estava eu a ler Láudano e Absinto do meu querido amigo R., e quando ele em seu texto menciona uma música antiga eu me recordo imediatamente de She's A Maniac - Colonne Sonore. Não que a mesma tivesse algo relacionado ao texto, mas se nem eu mesma me compreendo, vai saber!
Enfim, tal música do filme Flashdance me remete a criaturinha, ao ser com quem divido as minhas aventuras: a gatinha Amnésia. Ela é maníaca, e a sua idéia fixa é desaparecer.

Estávamos eu, Daniel e o garoto Enrico asistindo ao filme "Eu Sou A Lenda". Não direi muitos detalhes, mas há uma cena em que Sam - A cadelinha fidelíssima - se machuca, e ele a abraça e começa a cantar uma música de Bob Marley. Sim, mas e daí?

E daí que eu muito emocionada, começo a chorar e a chamar por Amnésia: "Ahn, cadê Amnésia, chuinf, eu quero Abidêsia (nariz entupido), snif". Enrico, meu irmão muito solidário replicou: "Putz, não acredito não, Manuca!"

Eu ignorei e continuei a chamar. E continuei. E continuei... "Amnésia?"

AMNÉSIA!?

Procurei logo na varanda, e com muito receio fui olhando para baixo na esperança de NÃO avistar os filés felinos, carne moída e bifes gatunos bem batidos esmagadinhos no chão. Ufa! Olhei para os lados: Ela não escalava a varanda. Ai!

Fui ao meu quarto desvendar gavetas, portinholas, cantinhos e escurinhos. Zero bicho! Fui à cozinha e até na geladeira procurei. Com as mãos suadas eu abri o forno ligado tentando afugentar dos meus pensamentos a figura grotesca de um churrasquinho de gato. Ponto para ela - nada do bichano! Meu Jesus do *CVA, onde está Amnesinha? Gelei.

Fui ao sua casinha na área de serviço, fui ao quarto do meu irmão cujas janelas são impiedosamente escancaradas, fui aos sanitários (quem sabe ela não nadava um pouco, heim?), cafofos, sofás, vizinhos!

Desci. Procurei no estacionamento, salão de festas, casa das máquinas, portaria, jardim... Chorei, chorei e chorei. Daniel correndo freneticamente pelas escadas, tentando me acalmar e eu soluçando: "Cá-dê Am-mi-né-zzz-sia? E-eu que-que-ro A-bin-dên-ssia". Ininteligível? Inaudível!!!

Bem, eu estava quase escandalizando quando resolvi checar o meu quarto novamente. Abri mais gavetas, empurrei a cama, e resolvi abrir o guarda-roupas quando PÓIM!

Aquilo não é um gato, é um Gremlin! A coisa pula em cima de mim, tremendo de medo, peluda e úmida e barulhenta. Mas coma a cara mais cínica do mundo dos animais: Ela estava quentinha no armário! Claro, com bastante medo eu presumo, mas menos medo que eu tive, podem apostar! Maníaca!


Hoje, ela me apronta uma igual! Mas desta vez, ela surgiu do nada e de um universo paralelo que só a Mãe Natureza é capaz de adivinhar...


ZzZzZzZZZz...



NEXT!!!

*CVA - A temida carrocinha daqui!

sábado, 24 de maio de 2008

Medialunas Por La Reyna


Bienvenidos ao Período Liso do Império da Classe Média!

Hoje estou bem Pink Floyd, "Money" - A desgraça do mundo! Estamos passando por crises que não acabam, emendam-se à outras até surgir a colcha de retalhos do desespero financeiro: "Querido, vamos mudar de vida" ou, "com apenas 1 real de entrada, você com seu carro zero"...

Jóia. Parece aquela pessoa que chega do Feirão Imobiliário saltitante porque comprou um apê e se depara com a beleza ludibriante das intercaladas. Pobre trabalhador honesto (e pobre desonesto, os canalhas também sofrem).

É triste o papo imutável da classe média: dinheiro, dinheiro dinheiro - que não se tem.
Peço perdão pelo refrão, mas eu dou o maior ponto ao pão com manteiga. Quer melhor representação cultural de um estrato social que o famoso pão com oba?

Diz-me o que tu comes, e te direi o que tens:

pão com manteiga:

a) Brioche e Manteiga President
b) Francesinho e Manteiga Turvo
c) Pão de caixa e Claybom

pão com ovo:

a) Croissant e Ovos-Moles de Aveiro
b) Ciabatta e Omelete
c) Pão de Caixa e ovo frito

misto quente:

a) Calzoni de Prima Donna e lascas de Prosciutto Crudo di Parma
b) Panini de Provolone e Presunto defumado
c) Pão de Caixa, queijo prato "tipo lanche" e apresuntado, o famoso fiambre.

Se a maioria das respostas foi a letra C, parabéns! Você é o típico comprador de carnês do Baú.

É triste, mas é vero!
E nós, do Médio Estamento (porque subir é quase impossível; sempre tem uma prestação pra te mostrar de onde você veio), estamos entre o pão francês e o Claybom. E não que nós não sejamos felizes! Quando somos categoricamente lisos, somos conformados. Quando somos categoricamente ricos, estamos conformados. Mas quando somos categoricamente médios na categoria, ah, dói de ver. "Vejam só Roseane no Club de Golf, vejam só Rosicleide comendo croquete ao molho Golf".

Enquanto que a Rosinéia tá boiando e sambando entre as esferas. Rosinéia compra um apartamento de última em plena avenida Boa Viagem, mas dorme no colchão porque não teve dinheiro para os móveis. Mas TEVE que ter o apartamento dos seus altos sonhos. Ou o apartamento, ou ela não seria ninguém! Para completar o conjunto, compra um poodle toy branquinho, dá banho no pobre de Vanish, dana um lacinho rosa na cabeça do cãozinho, e sai rebolando pela avenida, ostentando o quê eu não sei.

Sabe o maior nicho consumidor de Johnnie Walker no Brasil?
Recife. E Rosinéia tá lá, entupindo-se de scotch.

Gente a culpa é da burguesia! Gente semi-rica porém sem finesse. Sabe aquele povo que é "semitonado"? Bem, existe uma parcela da população que canta mal, outra canta bem, e outra é semitonada. Pronto! Eis a burguesia.

[Tudo isso é um reflexo da minha frustração devido a enorme habilidade que carrego de fazer dinheiro sumir].

Coisa outra que muito me irrita é a burocracia. E é mais uma desgraça na vida da classe média e dos pobres...
A burocracia é homicida! Incita a violência, fomenta a ira! Desperta um desejo incontrolável de suicídio coletivo - pelo bem da massa, né? I'm sorry periferia...

Ainda por cima, terminando meu cursinho Walita, mamãe ju-ran-do que eu iria ser rica e fashion despontando no céu recifense como a mais nova estrela da cozinha pretenciosa. Daí chego eu, muito convencida dos valores reais da vida, olho no fundo dos olhos dela e digo: Mamãe, o importante é ser feliz, eu quero ser atriz!
Houve uma pausa dramática. Acho que ouvi os ecos do pensamento agoniado da mamãe reverberarem pelas paredes lisas da cozinha. Neste momento eu vislumbrei o além da imaginação: Eu, de avental e lenço na cabeça, enorme de gorda e cheia de cabelos brancos, com cinco filhos e uma geladeira com cadeado. Balancei a cabeça e vi de novo meu marido (futuro) correndo atrás de mim pela casa segurando "trocentas" contas a pagar em uma mão, e na outra meu diploma de Artes Cênicas em riste. Balancei novamente e vi Antônio Fagundes me estendendo a mão, eu subo no palco, as pessoas me aplaudem, a bandeira da Air France atrás de mim e eu recebendo o busto de Molière. Mas aí sacudi a cabeça de novo porque o prêmio aqui já foi extinto...

Bem, eu estou mergulhando no mundo do Claybom com açúcar passados no pão, e me orgulho muito disso. Quem sabe após colecionar milhares de talheres da revista Caras (de acordo com Miguel Falabella, o melhor indicador da classe média B) eu possa provar à minha família que o importante é ser feliz, e não ser Maria Antonieta e ter a cabeça rolando vestidinho lindo abaixo aos 38?

Argh! Mais uma vez a burguesia...







"S’ils n’ont plus de pain, qu’ils mangent de la brioche!"



NEXT!!!





sábado, 10 de maio de 2008

O Ser e o Estar Humano


Por Deus, o Delícia está órfão!
Não meus caros desocupados que me prestigiam, eu estive realmente sem saco de mim mesma; por conseguinte, toda e qualquer palavra por mais monossilábica e ridícula que eu digitalizasse aqui, seria uma droga e vocês nunca mais voltariam e eu ficaria muito mais insuportável do que estou neste exato momento de verbalização eletrônica.

Li os comentários do post antigo. Meu caro amigo Walmir, que espanto! Tens toda a razão! Sou uma miserável canibalzinha de quinta: as cenouras também choram! Arrancou, morreu... Basta! A partir de hoje, sou frugívera, e só como se a fruta cair do pé, amém.

Voltando ao espetáculo do asco humano, eu penso cá com meus pitocos (botões no dialeto nordestino) que sorte mesmo tem Amnésia, minha amiga felina, ou a ameixa que eu acabei de devorar impiedosamente. Ser humano é um tremendo fardo. Ou você chuta a barraca e curte somente a casca que te emprestaram para viajar por aqui (nossa, isso foi tão Kardec), ou você esquece que é gordinho e feioso e ninguém te quer mas vai para Índia cuidar de uns leprosos. Ou você pode também cortar a tela da sua janela e atirar uma criança lá de cima. Ou quem sabe brincar de Comandos em Ação versão Balão Mágico e sair voando por aí abençoado essa terra sem lei (não se esqueça de não levar um GPS decente!). Eu não sei não... Às vezes queria sim, ser uma escarola verdinha e pacífica longe dessa aura negra que paira na razão de alguns seres, ahn, humanos talvez.

Agora uma outra coisa que muito me incomoda; uma jovem de apenas dezesseis anos se jogou do prédio de onde morava com sua quinta família adotiva. Ela ainda estava com a farda do colégio, e ligou avisando as colegas que o faria, caso alguém se interessasse. Ela era costumeiramente vítima de bullying (não gosto dessa palavra, mas quero usá-la e pronto, me aguentem hoje!); seus "amiguinhos" a chamavam de 'bagaço'. Bagaço... Engraçado, dessa palavra eu gosto! Mas o que seria alguém bagaço? Seria talvez uma moça bonita (que nem sabe que é), tímida, desajeitada, "quatro-olhos" como eu, calada, solitária, muito problemática (quinto lar adotivo; apenas o primeiro deve ser difícil de assimilar, imaginem como deve ter sido para essa menina de dezesseis anos). Talvez. Eu prefiro acreditar que o verdadeiro bagaço humano é aquele que enxerga o desinteressante, o ínfimo, o pobre. As pessoas gostam de esquecer daquilo que verdadeiramente possui um inestimável valor, isso dói muito em mim. Eu não me deixaria abater por ninguém que delira em suas miragens interpessoais estar vivendo no paraíso das setenta virgens maviosas. Eu gosto e faço muito uso do espelho, e sim gosto muito do que vejo. Eu não vejo uma moça de cabelos volumosos, de óculos engraçados, de altura imperceptível e de uma boca inexistente; eu vejo um universo naquela imagem, um universo que só poderia provocar mais bullying, mais asco, mais inveja de quem é míope dos olhos da alma.

Eu também sofro ao imaginar como aquelas cabecinhas tontas de dezesseis estão agora. Sim, eles mataram alguém de certa forma. Muito pior que uma família desajustada, anti-depressivos e demais pílulas 'controladoras', além da baixa auto-estima, é a ausência de uma mão amiga e calorosa; e vindos de uma instituição de ensino que abraça Jesus Cristo como sócio, andaram apertando mãos tão frias e vazias quanto às próprias, contrariando todo o ensinamento do seu maior inspirador, enquanto que com a outra, bofetearam sem cessar o amor próprio de uma garotinha que só precisava de um amigo.


Sim, eu prefiro ser uma alcachofra; pelo menos ela tem um coração.




NEXT!




Para a menina Ana.