sábado, 24 de maio de 2008

Medialunas Por La Reyna


Bienvenidos ao Período Liso do Império da Classe Média!

Hoje estou bem Pink Floyd, "Money" - A desgraça do mundo! Estamos passando por crises que não acabam, emendam-se à outras até surgir a colcha de retalhos do desespero financeiro: "Querido, vamos mudar de vida" ou, "com apenas 1 real de entrada, você com seu carro zero"...

Jóia. Parece aquela pessoa que chega do Feirão Imobiliário saltitante porque comprou um apê e se depara com a beleza ludibriante das intercaladas. Pobre trabalhador honesto (e pobre desonesto, os canalhas também sofrem).

É triste o papo imutável da classe média: dinheiro, dinheiro dinheiro - que não se tem.
Peço perdão pelo refrão, mas eu dou o maior ponto ao pão com manteiga. Quer melhor representação cultural de um estrato social que o famoso pão com oba?

Diz-me o que tu comes, e te direi o que tens:

pão com manteiga:

a) Brioche e Manteiga President
b) Francesinho e Manteiga Turvo
c) Pão de caixa e Claybom

pão com ovo:

a) Croissant e Ovos-Moles de Aveiro
b) Ciabatta e Omelete
c) Pão de Caixa e ovo frito

misto quente:

a) Calzoni de Prima Donna e lascas de Prosciutto Crudo di Parma
b) Panini de Provolone e Presunto defumado
c) Pão de Caixa, queijo prato "tipo lanche" e apresuntado, o famoso fiambre.

Se a maioria das respostas foi a letra C, parabéns! Você é o típico comprador de carnês do Baú.

É triste, mas é vero!
E nós, do Médio Estamento (porque subir é quase impossível; sempre tem uma prestação pra te mostrar de onde você veio), estamos entre o pão francês e o Claybom. E não que nós não sejamos felizes! Quando somos categoricamente lisos, somos conformados. Quando somos categoricamente ricos, estamos conformados. Mas quando somos categoricamente médios na categoria, ah, dói de ver. "Vejam só Roseane no Club de Golf, vejam só Rosicleide comendo croquete ao molho Golf".

Enquanto que a Rosinéia tá boiando e sambando entre as esferas. Rosinéia compra um apartamento de última em plena avenida Boa Viagem, mas dorme no colchão porque não teve dinheiro para os móveis. Mas TEVE que ter o apartamento dos seus altos sonhos. Ou o apartamento, ou ela não seria ninguém! Para completar o conjunto, compra um poodle toy branquinho, dá banho no pobre de Vanish, dana um lacinho rosa na cabeça do cãozinho, e sai rebolando pela avenida, ostentando o quê eu não sei.

Sabe o maior nicho consumidor de Johnnie Walker no Brasil?
Recife. E Rosinéia tá lá, entupindo-se de scotch.

Gente a culpa é da burguesia! Gente semi-rica porém sem finesse. Sabe aquele povo que é "semitonado"? Bem, existe uma parcela da população que canta mal, outra canta bem, e outra é semitonada. Pronto! Eis a burguesia.

[Tudo isso é um reflexo da minha frustração devido a enorme habilidade que carrego de fazer dinheiro sumir].

Coisa outra que muito me irrita é a burocracia. E é mais uma desgraça na vida da classe média e dos pobres...
A burocracia é homicida! Incita a violência, fomenta a ira! Desperta um desejo incontrolável de suicídio coletivo - pelo bem da massa, né? I'm sorry periferia...

Ainda por cima, terminando meu cursinho Walita, mamãe ju-ran-do que eu iria ser rica e fashion despontando no céu recifense como a mais nova estrela da cozinha pretenciosa. Daí chego eu, muito convencida dos valores reais da vida, olho no fundo dos olhos dela e digo: Mamãe, o importante é ser feliz, eu quero ser atriz!
Houve uma pausa dramática. Acho que ouvi os ecos do pensamento agoniado da mamãe reverberarem pelas paredes lisas da cozinha. Neste momento eu vislumbrei o além da imaginação: Eu, de avental e lenço na cabeça, enorme de gorda e cheia de cabelos brancos, com cinco filhos e uma geladeira com cadeado. Balancei a cabeça e vi de novo meu marido (futuro) correndo atrás de mim pela casa segurando "trocentas" contas a pagar em uma mão, e na outra meu diploma de Artes Cênicas em riste. Balancei novamente e vi Antônio Fagundes me estendendo a mão, eu subo no palco, as pessoas me aplaudem, a bandeira da Air France atrás de mim e eu recebendo o busto de Molière. Mas aí sacudi a cabeça de novo porque o prêmio aqui já foi extinto...

Bem, eu estou mergulhando no mundo do Claybom com açúcar passados no pão, e me orgulho muito disso. Quem sabe após colecionar milhares de talheres da revista Caras (de acordo com Miguel Falabella, o melhor indicador da classe média B) eu possa provar à minha família que o importante é ser feliz, e não ser Maria Antonieta e ter a cabeça rolando vestidinho lindo abaixo aos 38?

Argh! Mais uma vez a burguesia...







"S’ils n’ont plus de pain, qu’ils mangent de la brioche!"



NEXT!!!





5 fala, filho!:

Renata do Amaral disse...

:*

Manuca de Paula disse...

:* pra você também!

Walmir disse...

Manuca, quanto desassossego.
Até parece que você quer ficar rica, famosa, criar uma ong, uma fundação para cuidar da burguesia infeliz (ou para caçá-a e destruí-la?), casar-se e descasar-se com um príncipe, erradicar minas terrestres, namorar um egípcio milionário, correr de fotógrafos, espatifar-se dentro de um túnel, ter um túmulo sempre coberto de flores e talvez operar alguns milagres.
Você é besta demais.
É a blogueira mais engraçada que eu leio e ainda reclama.
Vá se danar, Manuca.
beijhos burgueses, sua doida.

magreza disse...

hahahahahaha
me senti rosi**** bebendo scoth!
ahh devo dizer que também tenho essa habilidade de fazer o dinheiro sumir! :/ hehehehe

adoro vir aqui e ver novos posts!
beijo :*

R. disse...

Manuca, nunca, jamais, jamé!, reclame da burocracia. É ela quem paga minhas BISNAGUINHAS SEVEN BOYS (nome de produto direcionado a pedófilos, geez!) e a maionese Hellmans sabor azeitona.
Mudando o assunto, porque Antônio Fagundes e não o Stênio Garcia?!? -corre Bino, é uma cilada!
Quanto a Recife, ô terrinha que eu nunca fui, mas morro de vontade de ir! Tem Lenine, Lula Queiroga (os dois moram em Sampa, mas td bem), minha tia e primo, Manuca de Paula e, olha só, WHISKY EM ABUNDÂNCIA. Provavelmente o paraíso!
Quanto à classe média, ah, é uma merda mesmo.

Bjs!