sábado, 10 de maio de 2008

O Ser e o Estar Humano


Por Deus, o Delícia está órfão!
Não meus caros desocupados que me prestigiam, eu estive realmente sem saco de mim mesma; por conseguinte, toda e qualquer palavra por mais monossilábica e ridícula que eu digitalizasse aqui, seria uma droga e vocês nunca mais voltariam e eu ficaria muito mais insuportável do que estou neste exato momento de verbalização eletrônica.

Li os comentários do post antigo. Meu caro amigo Walmir, que espanto! Tens toda a razão! Sou uma miserável canibalzinha de quinta: as cenouras também choram! Arrancou, morreu... Basta! A partir de hoje, sou frugívera, e só como se a fruta cair do pé, amém.

Voltando ao espetáculo do asco humano, eu penso cá com meus pitocos (botões no dialeto nordestino) que sorte mesmo tem Amnésia, minha amiga felina, ou a ameixa que eu acabei de devorar impiedosamente. Ser humano é um tremendo fardo. Ou você chuta a barraca e curte somente a casca que te emprestaram para viajar por aqui (nossa, isso foi tão Kardec), ou você esquece que é gordinho e feioso e ninguém te quer mas vai para Índia cuidar de uns leprosos. Ou você pode também cortar a tela da sua janela e atirar uma criança lá de cima. Ou quem sabe brincar de Comandos em Ação versão Balão Mágico e sair voando por aí abençoado essa terra sem lei (não se esqueça de não levar um GPS decente!). Eu não sei não... Às vezes queria sim, ser uma escarola verdinha e pacífica longe dessa aura negra que paira na razão de alguns seres, ahn, humanos talvez.

Agora uma outra coisa que muito me incomoda; uma jovem de apenas dezesseis anos se jogou do prédio de onde morava com sua quinta família adotiva. Ela ainda estava com a farda do colégio, e ligou avisando as colegas que o faria, caso alguém se interessasse. Ela era costumeiramente vítima de bullying (não gosto dessa palavra, mas quero usá-la e pronto, me aguentem hoje!); seus "amiguinhos" a chamavam de 'bagaço'. Bagaço... Engraçado, dessa palavra eu gosto! Mas o que seria alguém bagaço? Seria talvez uma moça bonita (que nem sabe que é), tímida, desajeitada, "quatro-olhos" como eu, calada, solitária, muito problemática (quinto lar adotivo; apenas o primeiro deve ser difícil de assimilar, imaginem como deve ter sido para essa menina de dezesseis anos). Talvez. Eu prefiro acreditar que o verdadeiro bagaço humano é aquele que enxerga o desinteressante, o ínfimo, o pobre. As pessoas gostam de esquecer daquilo que verdadeiramente possui um inestimável valor, isso dói muito em mim. Eu não me deixaria abater por ninguém que delira em suas miragens interpessoais estar vivendo no paraíso das setenta virgens maviosas. Eu gosto e faço muito uso do espelho, e sim gosto muito do que vejo. Eu não vejo uma moça de cabelos volumosos, de óculos engraçados, de altura imperceptível e de uma boca inexistente; eu vejo um universo naquela imagem, um universo que só poderia provocar mais bullying, mais asco, mais inveja de quem é míope dos olhos da alma.

Eu também sofro ao imaginar como aquelas cabecinhas tontas de dezesseis estão agora. Sim, eles mataram alguém de certa forma. Muito pior que uma família desajustada, anti-depressivos e demais pílulas 'controladoras', além da baixa auto-estima, é a ausência de uma mão amiga e calorosa; e vindos de uma instituição de ensino que abraça Jesus Cristo como sócio, andaram apertando mãos tão frias e vazias quanto às próprias, contrariando todo o ensinamento do seu maior inspirador, enquanto que com a outra, bofetearam sem cessar o amor próprio de uma garotinha que só precisava de um amigo.


Sim, eu prefiro ser uma alcachofra; pelo menos ela tem um coração.




NEXT!




Para a menina Ana.

7 fala, filho!:

Hamyata disse...

o foda é isso...
galera sem noção do kct. povo hipócrita.
é revoltante, isso sim!

devo imaginar como tão as cabecinhas dos cabeças-de-vento do colégio... tsc, tsc...

gosto nem de comentar essas coisas, sabe? dá um ódio...

mas eu acho q gostaria de ser uma barata, não uma alcachofra...

Hamyata disse...

não não, mulher...

eu falei baRata mesmo...
batata não...

rsrs...

Eternus/Asfora disse...

Aloha!
Só pra deixar vc feliz!
E outra coisa, vc sabia q está jogando fora milhares de anos de evolução?! Sua anti-natural! :P

beijo

Manuca de Paula disse...

tô nada!

homem bobo, nunca devia ter saído da árvore!

Walmir disse...

Essas miseriazinhas humanas, Manuca, que merda são. Falo merda apenas no sentido figurado, pois as merdas reais são coisas de grandes utilidades. De alimento de aves e peixes a adubo, de cimento das palhças a ventiladores.
Já as merdas metafóricas são de nenhuma utilidade, são mesmo misérias.
Estas do desamor são as piores.
Dão vigor aos zelos discriminatórios, alegram os malefícios que o córtex cerebral transforma em ações e aí, mana blogueira, pode comer só mel e leite e figo caído (comidas bíblicas) que não adianta.
Quando esta merda chega ao córtex acabou.
Assam viventes na fogueira, jogam pela janela, estripam, enforcam, fuzilam, envenenam, fritam na cadeira elétrica, debocham, discriminam.
Somos todos uns predadores.
Vou me cuidando só para não predar a alma de ninguém.
Paz e bom humor, sempre

Walmir disse...

ah, e cuidando de alegrar também, que não há vivente que possa prescindir de alguma frivolidade.
Alegrar é coisa bonita.
Igual você me alegra.

R. disse...

É um assunto complicado, sabe? Já maltratei criancinhas na época de colégio, e olha só: não sou nada desumano.
Acho.
Eu entrei de cobaia em um colégio católico (veja só, logo eu. engraçado como ter que aturar uma mini-missa todo dia antes das aulas só fez afastar todo mundo da religiosidade) e a minha sala sempre foi a primeira oitava série, depois o primeiro primeiro ano e so on, até formar. Conforme ia dando certo eles iam abrindo outras salas e tal. É uma responsabilidade enorme ser da turma mais velha do colégio, sabe? Ainda mais em uma escola com padre e irmã passando. Incentiva toda e qualquer rebeldia. Mas até a rebeldia tem que ter limite, se não já viu: vira bagunça. Existiam regras e ai de quem não seguisse. A teoria era a harmonia. Se alguém sacaneasse um moleque da sexta série, levava. Pichou o colégio? Levou. Fez graça com algum da gente? Levou. Tinha até professor que vinha reclamar com a gente, acredite se quiser. Sabe a mão de ferro de 64? Pois é. O poder é terrível, começou bonito, mas depois descambou. Tiveram que recolher as mesas de ping-pong por nossa causa (não, não queira saber). E a nossos amigos tudo era permitido (e à gente também). Nem uma ou outra expulsão intimidou ninguém. Já joguei neguinho na lata de lixo, escondi as roupas no vestiário e etc. Na época não parecia cruel, mas era. Imagina só, ter de sair só de cueca em um ambiente tão hostil quanto o colégio? Hoje em dia todo mundo é amigo, os malfeitores e os maltratados. Tem gente que vem aqui em casa tomar cerveja e lembra de como era uma merda ir ao colégio, de como fizemos a vida deles um inferno. Mas, pô. Foi com a melhor das intenções. Tem gente que agradece também. A grande maioria só chegou intacta ao ensino médio porque a ditadura imperava.
Eu me sentia, tipo, o Jack na ilha de Lost.

o.O

Bjs